Matheus Prado

Como eu sei se o meu texto está perfeito?

A dica de hoje é especial. Isso porque ela é meio filosófica e, com toda certeza, vai causar alguma confusão entre os leitores. Sempre que falo de temas que soam polêmicos (mesmo que não sejam, de fato), acabo perdendo alguns leitores, mas sempre ganho muitos outros.

E é por isso que decidi falar sobre esse tema: perfeição.

Você já leu um texto perfeito? Você já leu um livro que considere perfeito? Já conheceu uma pessoa que se orgulhe de dizer que é perfeita? Duvido muito. E, se conheceu, deve considerar essa pessoa alguém muito arrogante para se ter ao lado, né?

Estamos condicionados a acreditar que a perfeição simplesmente não existe. Ninguém é perfeito. Nenhum texto é perfeito. Nada é perfeito. Ou, para os mais espirituais, apenas Deus é perfeito.

É claro que eu também não me acho perfeito. Tem uma lista bem grande de coisas que eu gostaria de mudar em mim, por dentro e por fora. Tanto em mim quanto na minha escrita e na minha vida profissional, de uma forma geral.

pode imaginar como deve ser pensar que não há nada de errado com você? Eu não posso. Você me pergunta o que há de errado comigo e tenho uma longa lista de coisas que quero melhorar.

Mas, se ninguém realmente é perfeito, como podemos atingir a perfeição em nossa escrita? Para entender isso, vamos entender o que é a perfeição.

“Perfeito” é um adjetivo que significa completo, inteiro, não faltando nada. Não há nada de místico nisso. Não há nada de divino ou sobre humano. É uma palavra que diz que tudo está em seu lugar, conforme deveria mesmo estar. Perfeito significa estar completo. Significa que não falta nada.

Embora a perfeição possa vir com trabalho duro, isso não é regra. Muitas coisas podem ser perfeitas sem que precisemos nos esforçar. Você já observou um pôr do sol? Já correu pela chuva pisando nas poças? Já sorriu vendo seus filhos brincarem no quintal? Há perfeição genuína em cada um destes momentos. Não falta nada.

Então, quando estiver fazendo algo, seja escrevendo uma história ou vivendo a sua vida mesmo, não se esforce para ser perfeito. Tenha em mente que já é perfeito. Seja o que você já é. Essa simples percepção da maravilha das coisas já fará o seu trabalho ser melhor do que ele sempre foi.

Muitas pessoas se veem naquele dilema. Elas pegam seus textos e pedem para que alguém leia. Então dizem: “você acha que está bom”? Quando isso acontece comigo, confesso que não sei bem como responder. Porque a pergunta está errada. Quem sou eu para dizer que algo é bom ou ruim?

Minha opinião não divide o mundo.

As pessoas precisam de afirmação. Precisam saber se estão no caminho certo. Mas o fato é que todos os caminhos levam a Roma. Alguns são mais tortuosos, outros são cobertos de flores. Mas o destino é sempre o mesmo. A diferença é que algumas pessoas desistem no meio do caminho, outras decidem voltar e iniciar tudo de novo, por outro lugar.

E é aí chegamos a pergunta de um milhão de dólares: como eu sei se o que estou escrevendo é bom? Como sei se o meu texto está perfeito?

Mesmo que o professor Girafales tenha me ensinado que só os idiotas fazem isso, eu te respondo com outra pergunta: Isso importa? Se sim, porque?

Seu texto sempre estará em perfeita harmonia com o momento em que você vive. Se você considera perfeito aquele texto que segue todas as regras de português, terá que se esforçar um pouco mais para produzir seus textos. Terá que ler muito antes de repousar sua pena sobre o papel.

Se o texto perfeito, para você, é aquele que carrega mais sentimentos, terá que viver mais a escrita. Despejar seu coração através da tinta.

E o fato é que só há uma coisa que deixará o seu texto perfeito: a verdade. Escreva com verdade. Fale das coisas que gosta, das coisas que sente. Do modo como vê a vida e as pessoas ao seu redor. Se entregue de corpo de mente. Deixe que o sentimento flua através de seus dedos.

O seu texto será perfeito porque estará harmonizado com seus sentimentos.

Matheus Prado