Matheus Prado

Vivemos uma nova grande depressão, muito pior do que a 29

Quando eu era criança, lia muito uma série de quadrinhos de um personagem chamado Homem-Animal. Criado em 1965 e fazendo parte da Editora Vertigo, uma empresa que só publicava histórias feitas para adultos, o personagem tinha uma característica que me encantava: ele estava ciente de que era um personagem.

Em cada página, ele sabia que estava dentro de uma história em quadrinhos, que era um personagem desenhado única e exclusivamente para divertir outras pessoas. Isso gerava as situações mais inusitadas dentro da história.

Outros personagens também fizeram isso com o passar dos anos, mas poucos tiveram a mesma genialidade do Homem-Animal. Mas, por que eu estou falando sobre isso agora? É por que é bem assim que eu me sinto as vezes.

Você já deve ter notado que vivemos tempos estranhos, né? Tempos em que as pessoas perderam a paciência para tudo e que, como dizia o Renanto Russo:

A primeira vez é sempre a última chance.

Ao mesmo tempo, as pessoas mais jovens, de uma forma geral, perderam o interesse em aprender, em viver a vida da melhor forma. Em buscar novos conhecimentos e em se tornar uma pessoa melhor, seja lá o que isso queira dizer. As pessoas também perderam o interesse umas nas outras e nelas mesmas. Ninguém se ama mais. A maioria das pessoas tenta esconder o fato de que é difícil aguentar o peso de viver nesse mundo e alguns simplesmente não conseguem mais aguentar.

Justamente por isso, vivemos uma nova grande depressão, muito pior do que a 29, porque ela não vai se resolver com uma melhora na economia. Não vai ser resolver por completo com um novo político.

As pessoas andam tristes e cansadas. Estão desistindo de fazer o que gostam porque já não estão conseguindo gostar de mais nada.

E em meio a isso tudo, eu me sinto como o Homem-Animal. Consciente. Vendo tudo, entendendo o que está acontecendo, mas incapaz de fazer seja lá o que for para mudar essa realidade.

Por que eu não consigo mudar nem mesmo o que eu sinto e o que eu faço. Então, como poderia mudar os outros? A pergunta não tem resposta. Mas o questionamento permanece.

E eu acho que esse é o primeiro passo para que possamos mudar nossa realidade.

Matheus Prado