Todos os livros escritos por Dan Brown se tornaram best-sellers. Não foi assim desde sempre, é claro, mas desde que o autor conseguiu conquistar o mundo com seu maior sucesso, O Código Da Vinci, nenhum de suas histórias vende menos do que algumas centenas de milhares de exemplares. Foram mais de 200 milhões de livros vendidos, no total.

Três destes livros, inclusive, foram adaptados para o cinema e há planos para adaptar outros. Dessa forma, não há dúvidas de que Dan Brown é um dos escritores mais bem-sucedidos de todos os tempos.

Mas… por que? O que difere Dan Brown de tantos outros autores que jamais conseguiram conquistar alguma coisa? E por que nenhuma das milhares de cópias baratas que surgem todos os anos de seus livros não conseguem o mesmo destaque que ele conseguiu no mercado?

Dan Brown não é um escritor prolífico, com Stephen King, que lança um ou até dois livros por ano. Na verdade, ele leva alguns anos para lançar cada um de seus livros e, segundo seus próprios relatos, luta constantemente com bloqueios pesados.

Mas há alguns elementos que mudaram o jogo e transformaram Dan Brown no autor consagrado que ele é hoje. É sobre isso que nós vamos falar hoje.

1. Proteja seu processo

Nunca me canso de dizer que você precisa escrever todos os dias se quiser ter algum sucesso na escrita. Outros professores (e alguns “gurus” safados) preferem dizer que isso não é importante, mas a verdade é que eu nunca vi um único autor ou autora que tenha conseguido algum reconhecimento e algum sucesso na carreira sem trabalho duro e ininterrupto.

Escritores escrevem!

Em sua Masterclass, Dan Brown vai ainda mais longe e insiste que para desenvolver a sua escrita você precisa “proteger o seu processo”. Isso quer dizer que você precisa encontrar um lugar em sua casa onde esteja livre de distrações e onde possa escrever todos os dias, por pelo menos 7 dias consecutivos. E é importante fazer isso sempre no mesmo horário.

A ideia é treinar o seu cérebro para entender que a escrita faz parte da sua rotina e é algo importante para você, que não pode ser negligenciado. A medida em que seu corpo se acostumar com a ideia, a dificuldade vai desaparecer e os resultados vão brotar, como num passe de mágica. Acredite, funciona mesmo.

2. Consuma referências variadas

Você gosta de ler? Pode parecer uma pergunta idiota, mas conheço muitos “escritores” que simplesmente não leem. Uma vez, quase entrei em uma briga com um cara que queria argumentar que você não precisa ler para ser um bom escritor. Nem preciso dizer como acho essa ideia ridículo, não é?

O primeiro passo para escrever bem é ler muito. E essa não é só uma opinião minha, como também a do próprio Dan Brown.

Segundo o autor, também é importante se ler clássicos universais, como as obras de Shakespeare, Lev Tolstoy, Alexandre Dumas, Franz Kafka e muitos outros. O motivo é bem simples: estes autores já abordaram todos os temas, personagens, narrativas e tipos de enredo possíveis. Sendo assim, são uma ótima fonte de estudo.

Escritores não podem ler livros como leitores comuns. Cada livro, até mesmo os mais simples e efêmeros, são base de estudo. Dessa forma, torna-se ainda mais fácil entender o motivo para ler obras clássicas, que resistiram ao tempo e que, ainda hoje, encantam leitores ao redor do mundo.

Para se tornar um grande escritor, primeiro você deve ler os grandes escritores.

3. Crie uma atmosfera de mistério

Faça uma experiência simples. Aproxime-se de algum amigo e diga que precisa contar um segredo que ninguém mais pode saber. Então observe a reação dele. Antes mesmo de saber sobre o que se trata, é bem provável que ele fique animado com a ideia de saber algo novo, inusitado, desconhecido.

Isso é inerente à natureza humana. Nós somos animais emocionais, apaixonados por histórias e movidos pela curiosidade.

Isso não quer dizer apenas que você pode (e deve) usar essa técnica em suas histórias, mas que pode ir muito além dos códigos complicados que seus protagonistas precisam decifrar para sobreviver. A capa do livro “Inferno”, por exemplo, continha um segredo escondido que só poderia ser visto por quem baixasse um aplicativo lançado para a campanha de divulgação. Elementos como esse mantém os leitores interessados até mesmo depois do fim da leitura.

Por isso, tente adicionar um ar de mistério nos elementos de sua história. Não revele os fatos todos de uma vez. Não exponha o assassino no começo da trama. Não conte tudo para o leitor, mas faça com que ele descubra cada acontecimento junto com os personagens da sua trama.

E se estive disposto a fazer algo ainda mais impactante, você pode até criar um ar de segredo em volta da sua própria figura, enquanto escritor.

4. Crie personagens cinzentos

Violões são personagens deliciosos. Muitos dos meus personagens favoritos (e talvez dos seus) são vilões de histórias clássicas. Mas há algo nesse contexto que precisa ser mencionado. Segundo Dan Brown, a maioria das pessoas não consegue se identificar com um personagem que seja totalmente mau.

E quando eu me refiro a mau, falo de alguém sem empatia e que deseja prejudicar outras pessoas por mera vaidade.

Você se lembra do personagem Dexter, da série televisiva de mesmo nome? Ele se tornou icônico por ser, ao mesmo tempo, herói e vilão. Dexter mata sem nenhum remorso. Ao mesmo tempo, suas vítimas são pessoas ainda piores do que ele. Isso quer dizer que sua moral não é nem branca nem preta, mas cinzenta. E é esse detalhe que nos atrai.

Personagens como Dexter são muito mais críveis do que vilões escondidos atrás de uma capa negra, cujo único objetivo é destruir o protagonista, ou heróis imbatíveis, que nunca estão sujeitos à corrupção. Humanos gostam de histórias sobre humanos. E nós somos moralmente cinzentos. Nossas maiores qualidades são defeitos imperdoáveis sobre certos pontos de vista. Explore esses aspectos.

5. Aceite que haverá dúvidas

Existe um mito largamente pregado de que alguns pessoas são hiper criativas e conseguem ter boas ideias o tempo inteiro. Pura besteira e Dan Brown sabe disso. É por isso que ele sempre diz em suas entrevistas que sua cabeça vive cheia de dúvidas. Isso é importante ao ponto de a dúvida se tornar parte do processo de escrita.

Isso acontece com todos os autores. Há dias bons, onde você escreve por horas a fio, mas também há dias ruins, onde você não escreve nada. Nessas horas, vale relaxar e tentar distrair sua mente com outras coisas. Consumir algum conteúdo relacionado com o tema sobre o qual você está escrevendo ou fazer algo que você realmente gosta são boas alternativas.

Segundo Dan Brown:

Haverá dias em que você simplesmente não sabe se consegue (escrever). Nesses dias, o que vai te salvar é o seu processo. Seu ritual. Então, se você ainda está começando a escrever um romance, vá criar esse processo, vá criar esse ritual. E se você está no meio de um romance agora, comprometa-se novamente com esse ritual.

6. Faça o relógio andar

Há algum tempo, escrevi sobre os “3 C’s” da escrita de thrillers e como usá-los para escrever qualquer gênero literário. Esse é um conceito que Dan Brown apresentou em sua Masterclass: contrato, relógio e cadinho (Contract, Clock e Crucible). Neste artigo, quero destacar o segundo item, o relógio, mas é claro que você pode ler o post completo e aprender ainda mais.

Segundo Dan Brown, é importante delinear os prazos para as coisas acontecerem. Ao mesmo tempo, você precisa manter os riscos altos para que a história avance num ritmo crescente e frenético.

Um exemplo é o livro “Anjos e Demônios”, que se passa em apenas 24 horas. Neste meio tempo, o professor Robert Langdon precisa encontrar uma bomba de antimatéria e salvar o mundo antes que ela exploda no coração do Vaticano. Há um grande marcador de tempo na bomba, que dá ritmo para a trama, uma vez que a pressão de ter que resolver as coisas naquele espaço de tempo intensifica a urgência da trama e mantém o ritmo.

Essa regra vale para qualquer tipo de história. Quer um exemplo: imagine um romance onde os amantes precisam encontrar um jeito de ficar juntos antes que um deles seja mandado para a guerra ou para um colégio interno.

7. Não faça nenhuma pesquisa

A sétima dica de Dan Brown se refere a um erro clássico dos escritores: perder muito tempo fazendo pesquisa quando você deveria simplesmente escrever. É por isso que ele pratica o que chama de “escrita livre”. Isso significa que não edita e nem pesquisa antes de terminar cada etapa, seja um capítulo ou até mesmo o livro inteiro. Nesse meio tempo, faz pequenas anotações em seu texto para se lembrar do terá que pesquisar mais tarde.

Segundo o autor, primeiro você deve tirar a história da sua cabeça, inventando fatos e até mesmo a ciência presente na trama. Só depois de terminar o primeiro rascunho que você deve começar as pesquisas para corrigir os erros apresentados e, até mesmo, mudar a trama onde for necessário. Isso é necessário para se manter no “estado de flow”, um estado mental onde você fica totalmente imerso no que está fazendo.

É claro que isso não é uma regra. Há grandes autores, como John R. R. Tolkien, autor da série “O Senhor dos Anéis”, que passaram anos pesquisando e aprendendo antes de decidirem escrever uma única palavra. Isso pode funcionar, mas a única forma de saber é testar os métodos e escolher o que trouxer mais resultados.

8. Seu primeiro rascunho será ruim

Se há autores que nunca param de escrever um livro e precisam ser pressionados para abandoná-los, há outros que acham que produziram verdadeiras obras de arte desde o primeiro rascunho. É como se o romance fosse uma dúvida vinda direta de Deus ou de alguma outra entidade cósmica. Aqui vai a dica: não seja este babaca.

Seu primeiro rascunho É RUIM. Não importa se você é o Sthepen King ou o Estevão Rei. Todos os escritores passam pelo mesmo problema e é por isso que existe um longo trabalho de edição em qualquer obra decente. O ideal é contratar um editor (caso você não seja contratado por um editora tradicional), mas você também pode fazer isso por conta própria.

O primeiro passo, é deixar sua obra “esfriar”. Isso quer dizer que você precisa esperar alguns dias antes de começar a revisão, já que as ideias ainda estarão fervilhando na sua cabeça. Tente se esquecer da trama antes de voltar para ela.

Quando estiver relendo seu manuscrito, tente perceber se o processo de editá-lo é divertido. Se não for, é bem provável que você esteja com problemas.

Há uma frase famosa que diz:

No tears in the writer, no tears in the reader.

Ou seja, se o livro não impacta o escritor, também não vai impactar o leitor. Editar seu próprio livro deve ser um processo emocionalmente envolvente. Se isso se tornar uma obrigação chata, talvez você precise reescrever tudo…

Dan Brown costuma dizer que vê a edição de seus livros como um jogo. Ele se pergunta coisas como:

O que aconteceria se eu reescrevesse todo este capítulo sob o ponto de vista desse personagem secundário?

Pensar e agir desta forma é uma das melhores maneiras de melhorar o seu trabalho durante o processo de edição.

Conclusão

Dan Brown é professor universitário e filho de um professor universitário. Ele gosta de dizer que cresceu dentro do campus da Phillips Exeter Academy, New Hampshire, onde seu pai dava aula. Sua mãe era musicista e fez com que ele desenvolvesse um grande amor pela música e pela matemática. E o mais incrível é que todos estes elementos se refletem na escrita do autor.

Goste você ou não do trabalho de Dan Brown, ele sempre escreve sobre o que ama. Códigos e quebra-cabeças complexos aparecem com frequência em seus livros porque ele sempre foi atraído por eles, desde quando era criança. É por isso que ele também diz que seu melhor conselho para quem quer seguir uma carreira literária é

Escreva sobre o que você ama.

Parece vago, mas não é. Muitos escrevem por fama, luxo ou dinheiro. Outros escrevem como forma de fugir de uma vida triste. O motivo, na verdade, realmente não importa. A única coisa que importa é se sentir bem consigo mesmo e falar a verdade, ainda que com mentiras. Esse é grande o poder da ficção e Dan Brown sabe usar esse poder como poucos.

Se você gostou das dicas e acha que elas podem te ajudar, compartilhe sua opinião nos comentários. Vou adorar ler e conhecer sua opinião.

Então é isso. Obrigado pela visita, volte sempre e boa escrita. 🙂

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Sobre o Autor

Matheus Prado
Matheus Prado

Matheus é jornalista, escritor e cineasta. Acredita que a vida é um oceano profundo e que devemos nos aventurar muito além da superfície.

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