Matheus Prado

Afinal de contas, Paulo Coelho é um escritor ruim?

Hoje nós vamos entrar num dos temas mais polêmicos quando o assunto é literatura nacional. Vamos falar de um dos escritores mais amados e, ao mesmo tempo, mais odiados de todos os tempos: o brasileiro Paulo Coelho.

Eu sei que, a primeira vista, esta não parece uma dica de escrita. Mas, vai por mim, é uma das maiores de todas que eu já te dei.

O primeiro livro do Paulo Coelho foi lançado em 1987 e se chama O Diário de um Mago. Não foi o primeiro livro que ele escreveu, é claro, mas não vamos falar disso. O que importa para nós, nesse momento, é o fato de que foi com este livro que ele começou a se tornar o autor que nós conhecemos hoje.

Muita coisa aconteceu na sua carreira e eu não vou destrinchar a sua vida neste texto. Talvez faça isso em um outro, se vocês quiserem. O que importa que vocês saibam é que ele lutou muito para chegar onde está. Só alcançou a fama quando já estava com mais de 40 anos, mas sempre soube, desde que era criança, que seu destino era ser escritor.

Eu li sua biografia umas oito vezes e ela sempre me ajuda quando estou abatido e sem esperanças. Quando eu não acho meu lugar nesse mundo. É importante para mim saber que grandes autores já estiveram nessa mesma situação e superaram. E eu falo que Paulo Coelho é um grande autor sem medo de errar e sem medo das críticas, por que ele foi fundamental no meu processo de descoberta da escrita.

Paulo Coelho divide opiniões. No Brasil, é claro, porque no resto do mundo ele é extremamente respeitado. Acho que aí nós vemos um misto de muita coisa. Brasileiro odeia ver seus iguais fazendo sucesso. E também não consegue reconhecer seus talentos, por causa da maldita síndrome de vira-lata que impregna o nosso sangue.

E mesmo assim, Paulo Coelho escreveu vários livros maravilhosos. Um deles, O Alquimista, é um dos livros mais vendidos de todos os tempos e uma das melhores obras que eu já li.

O primeiro livro que me fez pensar sobre a vida, a morte e tudo mais foi Veronika Decide Morrer. A primeira vez que eu refleti sobre minhas ações e como elas me transformaram no que sou foi quando li Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei.

Isso sem falar de outros livros incríveis como Onze Minutos, O Aleph e O Vencedor Está Só, que eu ouvi numa versão fantástica, lida pelo Antônio Fagundes. E também preciso citar O Monte Cinco, que foi meu primeiro contato com o divino fora da igreja.

Goste ou não dele, você precisa admitir que o Paulo Coelho tem uma escrita que o difere dos outros autores. Seu texto é simples, muito distante da escrita rebuscada de alguns autores considerados geniais. Segundo o autor, foi o músico Raul Seixas, seu parceiro de muitos anos, que o ensinou a escrever assim, de forma clara e direta. E também é esse ponto que o faz ser odiado por muitos leitores brasileiros.

Particularmente, eu acho essa característica fascinante. Talvez porque eu busque isso todos os dias. Quero que meu texto seja claro e fácil de ler, mas meu ego faz com que ele nem sempre soe assim.

Pra mim, todo esse sentimento propagado contra o Paulo Coelho é um misto de inveja, ignorância e atitude bovina, de seguir a manada. A maioria das pessoas que odeiam o autor nunca leram nenhum de seus livros. Outros fizeram isso já com a vontade de não gostar e acabaram contaminados com o sentimento ruim. Outros foram esperando a oitava maravilha do universo e se esqueceram que a pior coisa que existe e a tal da expectativa.

Paulo Coelho é um ótimo autor. Tem grandes toques de genialidade, mas eu não o chamaria de gênio. Guardo essa palavra para Tolkien, Agatha Christe, Conan Doyle, George Orwell. Mas, ainda assim, ele é um ótimo autor. Muito melhor do que a maioria dos outros autores que o criticam. Muito melhor do que eu jamais serei e isso não me desanima.

Muito pelo contrário. A sua história continua me inspirando. Porque, se ele não é um gênio como os outros que eu citei mas conseguiu chegar onde está com muito esforço e muito trabalho, talvez eu também chegue, um dia.

Matheus Prado