Thrilles são o meu gênero favorito. Sempre fico maravilhado quando me vejo diante de uma história onde, a cada nova página, sou surpreendido por um fato intrigante. E isso não acontece apenas comigo, é claro. Os leitores adoram o suspense, o mistério e a adrenalina de descobrir quem matou quem.

É por isso que grandes autores como Arthur Conan Doyle, Agatha Christie, Sidney Sheldon, Harlan Coben, Dan Brown e muitos outros são tão cultuados.

Um thriller não precisa ser, necessariamente, um romance policial ou algo semelhante. Pode ser uma história de fantasia, um romance, uma ficção científica ou qualquer outra coisa que você quiser. Mas, o que me agrada de verdade são as histórias clássicas que mistério, que envolvem detetives e assassinatos.

O Brasil possuiu centenas de bons autores neste estilo e cada dia surgem novos. Caso queira saber mais e conhecer novos autores, pode conferir o site da ABERST, a Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror.

Mas, caso também queira escrever histórias assim, neste artigo, eu vou te apresentar algumas dicas que eu adoraria ter recebido quando comecei a escrever.

#01 – Saiba quem é o assassino

Há muitos autores que gostam de seguir o modelo “Jardineiro de Ideias”, que é quando você simplesmente escreve e deixa as coisas acontecerem. E eu confesso que este modelo é bem interessante em algumas ocasiões. Mas em thrillers ou suspenses policiais, esse é um risco que você não pode correr. As coisas não podem acontecer a esmo e jamais devem ser resolvidas por coincidência.

O thriller exige que você deixe pistas ao longo da história, para que o leitor trabalhe tentando descobrir que está por trás da coisa toda. Se você não souber quem é o assassino e como o livro acaba, vai ter muita dificuldade em escrever uma história concisa e realmente empolgante.

#02 – Apresente vários suspeitos

Um dos maiores prazeres de se acompanhar um thriller é tentar descobrir entre vários suspeitos quem foi o autor do crime. Muitos autores usam essa técnica para prender o leitor e não há dúvidas quanto ao motivo: a coisa funciona! Agatha Christie tem uma habilidade inumana de criar histórias desta forma e, se você ainda não leu nada dela, sugiro que começa por “Assassinato no Expresso do Oriente”.

Outra obra que apresenta um roteiro incrível e que pode ser usada como objeto de estudo neste aspecto é o filme “Os Suspeitos” (The Usual Suspects), de 1995. O longa foi dirigido pelo incrível Bryan Singer, com um roteiro escrito pelo Christopher McQuarrie. Se você ainda não assistiu, prepare-se para se surpreender.

#03 – Apresente seus suspeitos o quanto antes

Você pode (e talvez até deva) deixar para revelar o seu assassino no momento final do livro. Não há problema nisso. O que você não pode fazer é deixar para apresentá-lo, enquanto ainda suspeito, apenas nas últimas páginas. O vilão, assim como o herói, deve ser apresentado o mais cedo possível, mesmo que o leitor não saiba quem ele é.

Uma das melhores formas de surpreender o leitor é mostrar como o assassino estava diante dos olhos dele desde os primeiros momentos e ele não foi capaz de notar. Quando você deixa para apresentar o suspeito no final, faz com que o leitor pense que todo o trabalho que ele teve ao longo da história foi em vão.

Quando você lê um thriller, você também está brincando de detetive. Quer descobrir as coisas junto com o herói. E cabe ao escritor fornecer as ferramentas para que essa descoberta não seja frustrante, fácil ou difícil demais.

É por isso que você precisa apresentar todos os suspeitos (dentre eles, o assassino) no início do livro. Para que os leitores possam bancar o detetive e tentar resolver a história. Neste ponto, suas habilidades como contador de história serão testadas. Mas o resultado final sempre faz tudo valer a pena.

#04 – Desenvolva motivos convincentes

Tenha uma coisa importante em mente: tão importante quanto quem é o porque. Não basta que você seja capaz de criar um grupo variado de suspeitos encantadores. Você precisa dar uma motivação específica para cada um deles. O que faria cada um deles ter motivo para matar a vítima?

Trabalhe pesado em cima desse assunto. E não crie coisas óbvias como: “ele me demitiu” ou “ele me tratou mal em uma festa”. Os leitores precisam acreditar que cada um dos motivos é forte o bastante para fazer com que aquele suspeito matasse alguém. Pessoas são demitidas e maltratadas o tempo inteiro e não saem por aí assassinando ninguém. Seja criativo.

A medida em que for reescrevendo, você pode melhorar estes motivos e trazer mais verdade para a personalidade de cada suspeito. É um trabalho que não para nunca.

#05 – Use planilhas, cartões ou post-its

Para mim, a parte mais difícil de todo o processo de escrever um romance policial ou um thriller é finalizar o primeiro rascunho. Como via de regra, levo pelo menos três meses para fazer isso, mas quase sempre leva algo entre seis e oito meses. Mas, antes disso, há mais alguns meses de planejamento, sem escrever uma única palavra do manuscrito.

Por isso, costumo usar planilhas e cartões pautados para planejar cada detalhe da trama, principalmente as pistas que serão encontradas pelo protagonista.

Costuma fazer isso dividindo o cartão (ou a tela, caso use o excel) em três colunas. Na primeira, coloco uma descrição breve da cena, mostrando o que deve acontecer. Não acrescento diálogos ou nada parecido. Apenas um texto simples e cru. Na segunda coluna, acrescento o nome do suspeito que aparece na cena. E, na terceira coluna, coloco a pista que será deixada.

Isso vai te ajudar a ter uma ideia de como as coisas estão andando.

#06 – Deixe a história te surpreender

Ainda que você deva planejar a sua história ao máximo, é importante aproveitar o momento também, e deixar a sua mente aberta para as coisas que podem acontecer sem a sua influência.

Muitos autores gostam de dizer que os personagens assumem vida própria enquanto eles escrevem. Confesso que não gosto muito dessa definição, mas até concordo que, as vezes, somos surpreendidos pelo que aparece.

Por isso, é importante estar sempre preparado para o que pode acontecer. Deixar a história nos surpreender. Afinal, se ficarmos surpresos com os rumos da história, certamente os nossos leitores também ficarão.

Coloque a mão na massa

Se eu conhece cada uma dessas dicas quando comecei o meu primeiro romance, certamente teria escrito histórias melhores. Não tenho dúvidas disso. Precisei de longos anos de tentativa e erro para descobrir as melhores formas de fazer as coisas funcionarem e, devo confessar, ainda estou apreendendo.

Teste as sugestões e me de sua opinião sobre o que apreendeu aqui. Deixe nos comentários ou me mande um e-mail, porque vou adorar conversar sobre o seu processo de construção das suas histórias.

Nos vemos na próxima! Boa escrita. 😀

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Sobre o Autor

Matheus Prado
Matheus Prado

Matheus é jornalista, escritor e cineasta. Acredita que a vida é um oceano profundo e que devemos nos aventurar muito além da superfície.

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