Um levantamento feito pelo Panorama do Ensino Superior Privado mostrou que os preços das mensalidades de faculdades particulares estão ainda mais caros no Brasil, tanto na modalidade presencial quanto no ensino à distância.

Mas não é um aumento comum, algo para equiparar a inflação. É um aumento muito acima da média, considerando a situação econômica do país. A modalidade presencial teve um aumento de 6,3% nos valores, enquanto que o ensino à distância registrou um aumento de 7,7%. E a inflação foi de apenas 1,8%.

No total, mais de 1.300 Instituições de Ensino Superior foram catalogadas para a realização deste levantamento, o que equivale a mais de 80% do mercado nacional. Ou seja, isso não é um fenômeno isolado. Está acontecendo em todos os lugares do país, inclusive aqui em Sinop.

Eu sou universitário e isso não é novidade pra mim, porque eu sei bem que o mercado da educação é uma terra sem lei no Brasil. Tanto o público quanto o privado. Mas, mesmo assim, não consigo deixar de me assustar.

Se você já esteve em uma faculdade particular deve saber que absolutamente nada é de graça. Nada mesmo. Nem os certificados que, pela lei, não poderiam ser cobrados, já que estão inclusos no valor das mensalidades. Mas eles cobram mesmo assim. Agora, some ao valor das mensalidades as centenas de impressões, as cópias, os livros, os minicursos, as semanas acadêmicas, os congressos científicos, os estágios e as horas extracurriculares, que são inferno na vida de qualquer estudante.

A coisa é ainda pior para os cursos nas áreas de Ciências Sociais, Matemática, Computação, Pedagogia e Licenciaturas de uma forma geral, que registraram aumento de 10% acima da inflação na modalidade presencial. Se o aumento fosse reinvestido na estrutura do curso, eu até entenderia. Mas o que vemos são faculdades sucateadas, caindo aos pedaços, sem equipamentos e com professores completamente despreparados e sem nenhuma experiência de trabalho.

Que a nossa educação pública é uma piada sem graça, todos sabem. Os alunos saem da escola anos-luz atrás dos seus concorrentes das escolas particulares. Mas quando a coisa chega no ensino superior, a situação se inverte.

As exigências das faculdades públicas não são compatíveis com o ensino fundamental oferecido pelo governo, o que faz com que elas se tornem inacessíveis para os mais pobres. Dessa forma, as particulares se transformam num antro dos pobres que querem estudar. E as consequência disso são dívidas gigantescas com parcelamentos estudantis e um índice de evasão estratosférico.

Quem vai mudar isso, eu não sei. Mas, até que alguém abra os olhos para a situação, continuaremos sendo um país de analfabetos que se orgulham da serem burros. De faculdades particulares criadas exclusivamente para roubar os pobres e de faculdades públicas frequentadas unicamente por ricos.

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Sobre o Autor

Matheus Prado
Matheus Prado

Matheus é jornalista, escritor e cineasta. Acredita que a vida é um oceano profundo e que devemos nos aventurar muito além da superfície.

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