Matheus Prado

Homens brancos e héteros também morrem

Você acordou bem hoje? Espero que sim, porque, nessa véspera de feriado, eu vou falar de alguns temas ótimos para começar o dia bem: direitos iguais. Alguns minutos não suficientes para esclarecer a forma como eu penso, mas acho que já poderão abrir a sua mente. Ou deixa-la ainda mais fechada.

Eu acho importante que exista movimentos sociais que defendam os direitos das minorias, como mulheres, gays, negros, judeus. Principalmente porque eles foram fundamentais no passado para garantir direitos primários, como a igualdade e o respeito. Até mesmo para os que não são minorias de verdade, mas se vendem como tal, como mulheres e negros.

Mas sabe qual é o problema nisso tudo pra mim? É quando o discurso destes grupos começa enquadrar todos que não concordam com ele num mesmo formato. É aquilo que eu já falei aqui, lembra? Todo branco é racista, todo homem é machista, todo hétero é homofóbico.

E quando eles propagam esse tipo de coisa, o único discurso que se torna aceitável é aquele que reafirma o modo de pensar desse grupo. Todos os outros viram crimes mortais. E isso prova a tese do Paulo Freire que diz que:

Todo oprimido sonha em se tornar opressor.

O que vemos hoje em dia é exatamente isso. Estes movimentos descolados, modernos, empoderadores não querem nada além de inverter a situação.

O que ouvimos é: “não diga isso porque vai ofender as mulheres”. “Não diga isso por que vai ofender os gays”. “Não diga isso porque vai ofender os negros”. Agora, uma mulher ofender um homem? Sem problema. Ela tem esse direito. Um negro ofender um branco. Eles têm esse direito, já que não existe racismo reverso. Um gay ofender um hétero? Isso nunca aconteceria. E se aconteceu, foi porque o hétero começou.

Eu sempre achei que direitos iguais quisessem dizer que todas as pessoas devem ser tratadas como iguais. Mas o que a maioria dos movimentos sociais pregam é exatamente o mesmo que os movimentos racistas, machistas e homofóbicos pregam: que algumas pessoas são diferentes das outras e que elas merecem condições diferenciadas. A única diferença é o lado que cada grupo defende.

Uma das pessoas que mais admiro nesse mundo é o Freddie Mercury, o falecido vocalista da banda Queen. Ele era um dos maiores cantores que o mundo já viu. Era gay e era africano, nascido na Tanzânia. Está para nascer alguém que se iguale ao Freddie. Também está para nascer alguém que conte histórias tão bem quanto a grande escritora Agatha Christie. Ou alguém com a coragem de Martin Luther King. Ou a força de Muhammad Ali. Ou o talento de Chuck Berry.

Mas Freddie Mercury não foi um dos maiores cantores do mundo porque era gay. Ele era um bom cantor que também era gay. E Agatha Christie não era talentosa porque era mulher. Mais do que isso, ela escrevia boas histórias. Apenas isso.

O mundo tem problemas de sobra. O preconceito é um deles e ele destrói muitas vidas. Mulheres são mortas todos os dias em todo o mundo. Gays também. Mas, acredite você ou não, homens brancos e héteros também morrem.

Você sabia que para cada 1 mulher que morre no Brasil, morrem 11 homens? E você sabia que de cada 5 mortes relacionadas com violência doméstica, 4 são de homens. Eu não estou falando de roubos, assaltos ou coisas do gênero. Estou falando de violência doméstica.

De cada 5 mortes relacionadas com violência doméstica, 4 são de homens.

Mas, olha só que inusitado: a lei Maria da Penha favorece exclusivamente as mulheres. O homem tem que ir na delegacia normal, enfrentar o processo normal.

Em 2016, foram registrados 61.619 homicídios no Brasil. Desse total, 4.657 eram mulheres. Isso dá menos de 8%. Eu não estou desmerecendo o fato de que muitas mulheres foram mortas. Mas, se eu me lembro bem das aulas de matemática, a conta está um pouco desigual.

Entenda que eu não estou dizendo que não devemos dar atenção as mulheres, aos negros, aos gays, aos árabes, aos muçulmanos, aos hindus, e a todos os outros. Eu estou dizendo que a base da igualdade é que o tratamento seja igual.

E se você é mulher e acha que é muito difícil ir até uma delegacia relatar um ato de violência doméstica, porque todos vão te julgar e achar que a culpa é sua… Tente pensar em como é para um homem relatar o mesmo fato. Há vários tipos de violência doméstica que homens sofrem também. Não seja machista ao ponto de achar o contrário.

Homens morrem todos os dias, principalmente pela pressão que sentem de serem machos alfa. Pressão essa que, muitas vezes, vem das próprias mulheres. E, enquanto a própria sociedade se esforçar para se separar através de rótulos inúteis, ninguém poderá fazer nada para acabar com os preconceitos.

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Fontes: Fórum Brasileiro de Segurança Pública – G1

Matheus Prado