Matheus Prado

Será que nós precisamos mesmo de médicos cubanos?

O governo cubano informou na última quarta-feira que decidiu abandonar o programa social Mais Médicos. Segundo o comunicado, o motivo da desistência são as “referências diretas, depreciativas e ameaçadoras” feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro à presença dos médicos cubanos no Brasil.

Isso porque, ainda durante a campanha, Bolsonaro declarou que “expulsaria” os médicos cubanos do Brasil com base no exame de revalidação de diploma de médicos formados no exterior. A promessa, inclusive, está em seu plano de governo.

O programa Mais Médicos é uma das soluções milagrosas da ex-presidente Dilma Rousseff, que está em atividade desde 2013 e foi criado para atender regiões carentes sem cobertura médica.

Eu, como um bom cidadão de classe média que sou, já fui agraciado com o desprazer de ser atendido por um médico deste programa… E confesso que foi uma das piores experiências pelas quais já passei. Primeiro porque não entendi uma única palavra do que ele disse, e tenho quase certeza que ele também não entendeu o que eu estava dizendo.

Segundo porque um chipanzé com dor de dente numa loja de cristais com certeza é mais educado do que o médico que me atendeu. Você não precisa entender as palavras para saber quando uma pessoa é grosseira.

E terceiro porque ele me receitou dipirona. Eu não preciso de um médico vindo de Cuba para me receitar dipirona. Os brasileiros já fazem isso para absolutamente qualquer coisa que você estiver sentindo.

Agora vamos aos fatos. A saída dos médicos vai ser mesmo um grande problema, como alguns estão insistindo em dizer? Vamos esperar pra ver. Mas eu, que não sou político, nem economista e muito menos médico, consigo pensar uma cacetada de alternativas para a saúde e nenhuma delas inclui trazer médicos de Cuba. Nem de nenhum outro país, muito menos um que vive numa miséria pior do que a nossa.

Você pode dizer o que quiser, mas nada me convence que Cuba é referência em medicina. Até porque a única coisa em que Cuba é uma ótima referência em é em como um país pode afundar através de um regime socialista totalitário.

Porque, caso você não saiba, Cuba é uma república socialista, organizada segundo o modelo marxista-leninista. Isso quer dizer: o país só tem um partido e não existe eleições diretas para cargos executivos, como presidente e prefeito. É um ótimo lugar pra se viver, você não acha? Democracia não existe por lá.

E as pessoas fogem aos milhares, exatamente como acontece na Venezuela.

O Brasil forma milhares de médicos todos os anos. Muitos desses médicos preferem morrer do que atender no SUS, porque sabem como a coisa funciona. Esperamos que o novo presidente entenda isso e tente criar alternativas para resolver. Porque a meta tem que ser diferente. Precisamos inverter essa situação para que passemos a exportar saúde e não importar profissionais de países doentes.

Matheus Prado