Matheus Prado

Sua cabeça é muito frágil, mesmo de capacete

Vindo aqui para o trabalho toda manhã, eu enfrento um pequeno trecho de trânsito intenso. Nada comparado as grandes capitais, é claro, mas assustador o suficiente para me fazer dobrar a atenção. E isso acontece por dois fatores: os caminhões e as motos.

Mas principalmente pelas motos.

Eu confesso que não consigo entender o que se passa na mente da maioria das pessoas que pilotam motos. Eu entendo a praticidade e a economia que o veículo traz. Eu mesmo já tive moto. Mas o que não entendo é o que acontece na cabeça destas pessoas quando eles estão em cima de suas motos. Claro que estou generalizando, mas é só pra você entender o exemplo.

A sensação que fica e que eles experimentam um total desapego pela vida. Trançam por entre os carros, atravessam cruzamentos sem olhar e buzinam ao invés de reduzir a velocidade.

A impressão que fica é que preferem morrer buzinando do que parar.

Aí o cara coloca um capacete na cabeça e acha que já está protegido. Que pode correr, que pode empinar e que pode fazer o que bem entender. Mas acho que eles se esquecem que o capacete não serve para absolutamente nada. E nisso eu não estou exagerando. Capacete não serve para nada!

É por isso que há tantos acidentes de moto. Eles são a maioria absoluta em todas as cidades do Brasil. E também é por isso que a maioria deles é letal ou, no mínimo, muito grave.

Por que, caso você não saiba, o para-choque do motoqueiro é a sua cabeça. E se você já teve o azar de presenciar algum acidente envolvendo motos, deve ter notado que a primeira coisa que acontece é o capacete sair voando da cabeça do piloto. Porque, como eu já disse, capacete não serve para absolutamente nada. Ele não protege. Ele só causa uma falsa sensação de segurança.

Pra muita gente, isso já é o bastante. Pra mim, definitivamente não.

Eu gosto de motos. Sempre quis fazer parte de um clube de motociclistas, com colete de couro e tudo. Mas, ao mesmo tempo, nunca confiei nelas. Porque já cai uma vez e sei bem como funciona. Hoje, não subo mais em uma moto a não ser que não haja mesmo nenhuma outra opção.

Eu sei que você, que tem moto, não vai vender a sua só porque eu falei. Mas eu espero que fique, pelo menos, um pouco mais consciente. Porque a vida não é um jogo. Não da para voltar ao começo. E a sua cabeça é frágil. Mesmo de capacete.

Matheus Prado